Ponto de Vista
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Mexer em casa de formigueiro

Por Flávio Cavalcante É um desafio mexer com um formigueiro adormecido, principalmente quando falamos da área onde o ego é uma granada ao ponto de explodir. Na teledramaturgia alguns autores de novelas redobram o cuidado quando no seu casting é recheado de veteranos. Segundo eles mesmos, temem e evitam qualquer atrito para correr tudo bem […]

Mexer em casa de formigueiro

Por Flávio Cavalcante

É um desafio mexer com um formigueiro adormecido, principalmente quando falamos da área onde o ego é uma granada ao ponto de explodir. Na teledramaturgia alguns autores de novelas redobram o cuidado quando no seu casting é recheado de veteranos. Segundo eles mesmos, temem e evitam qualquer atrito para correr tudo bem desde a produção até as gravações, com o intuito de que o produto não seja prejudicado.

Alguns atores mesmo com os longos anos de carreira e com uma vasta experiência diante das câmeras ainda carregam a humildade e conseguem separar o joio do trigo, deixando bem claro que a estrela daquele momento é o produto a ser exibido. Vi algumas gravações e pude comprovar que mesmo sendo experientes respeitados no meio, ainda agem com respeito com a direção da obra, respeitando o texto que o autor propôs e o trabalho do diretor que carrega uma responsabilidade homérica ao comandar uma equipe que preservam o ego com um ponto culminante na obra que está sendo produzida.

Algumas colunistas relatam e citam o comportamento de alguns autores que dizem ser complicado trabalhar com novelas carimbadas de atores veteranos no elenco. Um momento que o autor além de se preocupar na sua criação, tem que ter o máximo de cuidado para não ferir o ego daqueles que não conseguem enxergar a obra como o produto principal e tendo como consequência uma contaminação no ambiente virando ali um palco de guerra entre colegas de trabalho, direção e principalmente o autor, que muitas vezes é obrigado a matar uma personagem para conseguir salvar uma obra que estava nos planos de ser um marco de ibope no cenário da teledramaturgia brasileira.

Walcyr Carrasco vai ser o próximo a enfrentar este desafio, por exemplo. Autor do folhetim que irá substituir “A força do Querer” vem com o título “O outro lado do Paraíso” e nesta locomotiva vem recheada em seus vagões um casting desafiador e preocupante. O elenco já confirmado iremos encontrar: Fernanda Montenegro, Marieta Severo, Glória Pires, Laura Cardoso, Eliane Giardini, Nathalia Timberg, Lima Duarte, Grazi Massafera entre outros.

Walcyr já é rodado e conhece bem o formigueiro que está assanhando. É de fato um desafio para qualquer autor lidar com atores veteranos.

Lembro-me perfeitamente de alguns casos de atores que por carregarem um nome na mídia, se acham no direito de fazer da profissão um inferno no set de gravação, se tornando para os colegas de trabalho um poço de arrogância, quando, ao invés de contribuir para o sucesso da novela, acabam atrapalhando, mostrando uma total irresponsabilidade sem decorar o texto e quando não chega atrasado, deixando o ambiente em total tensão. É certo que os bastidores da televisão, não é o mar de rosas como se mostra na tela depois da obra concluída.

Uma situação constrangedora que eu presenciei na barra da tijuca, o que me causou até estranheza, foi numa loja próxima ao BarraShopping, onde a “Estrela” Letícia Spiller, por se achar a senhora da mídia, invadiu a fila do caixa do bazar, querendo prioridade no atendimento, criando ali uma confusão com as outras pessoas que estavam esperando há bastante tempo para serem atendidas. A nobre atriz se demonstrou topetuda e encrenqueira e esqueceu completamente das regras da constituição brasileira, que o direito dela começa quando do outro termina, ficou muito feio para a atriz que quis explorar o seu Status, se dando o direito de menosprezar quem estava em sua volta.

Certa vez um ator famoso me perguntou se um dia eu tivesse uma novela de minha autoria na grade, como eu faria para resolver este tipo de problema? A minha resposta foi clara e objetiva. No meu ponto de vista a minha responsabilidade como autor já é um fardo muito pesado e não gostaria de me envolver na escolha do elenco; pois, se eu tenho um diretor de núcleo de ponta-cabeça, comandando a minha obra, acho interessante a escolha do elenco partir dos diretores, já que quem vai conviver no dia a dia com eles nas gravações, são eles mesmos e nada melhor que eles escolham a cruz que possam carregar; eu sempre parto da idéia que não existe ator estrela numa obra e bato na tecla que a única estrela nas gravações é o produto que vai ser apresentado ao telespectador; este, que merece todo nosso respeito.

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Escrito por Redação MeDiz

There is 1 comment

  • Maurício Cunha disse:

    Falou e disse guerreiro!!

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