Ponto de Vista
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Me diz qual é a novela?

Por: Flávio Cavalcante Ás vezes eu me interrogo o porquê eu gostava tanto de novelas quando criança? Era uma paixão que ainda hoje consigo me lembrar de detalhes dos antigos folhetins apresentados nas emissoras. Não sei dizer se era o fato de que televisão naquela época era uma novidade na cidade que eu vivia, ou […]

Me diz qual é a novela?

Por: Flávio Cavalcante
Ás vezes eu me interrogo o porquê eu gostava tanto de novelas quando criança? Era uma paixão que ainda hoje consigo me lembrar de detalhes dos antigos folhetins apresentados nas emissoras. Não sei dizer se era o fato de que televisão naquela época era uma novidade na cidade que eu vivia, ou já era um despertar para um futuro no ramo da teledramaturgia onde a minha aptidão seria enveredar pelo caminho da escrita.

Assim que vi esta foto recentemente fiz de imediato uma viagem no tempo. Foi nos meados de 1976, era uma febre essa brincadeira no meio da criançada fazendo esse entrelaçado com um cordão vista na abertura. Era uma brincadeira para duas pessoas e tudo por causa de uma novela de maior sucesso na época. Alguém lembra qual era a novela?

Quem falou “DUAS VIDAS” matou a charada. Esta pérola foi escrita por Janete Clair e exibida pela Rede Globo em dezembro de 1976 a junho de 1977 e teve a direção geral do Daniel Filho até os meados do folhetim, passando a direção para o diretor Gonzaga Blota e Jardel Mello.

Outra curiosidade foi a estreia de Christiane Torloni e Yaçanã Martins, que tiveram destaque posteriormente em vários outros folhetins diante de seus trabalhos bastantes expressivos.

A rigidez da censura na época, fez com a autora tivesse alguns problemas pelo fato de ser taxada como revolucionária e na trama era retratada o metrô que na época era obra do Governo Federal e exposta no roteiro como vilão. O romance das personagens Sônia interpretado pela atriz Isabel Ribeiro e Maurício interpretado pelo ator Stepan Nercessian. Era uma novidade no horário das 20:00 e polêmica aos olhos da censura que não foi aceita por ser classificada como um atentado contra a moral e os bons costumes, obrigando a autora a mudar o script e casar as duas personagens que não estava proposto na trama.

“Duas Vidas” substituiu o folhetim “O casarão” e foi substituída pela novela “Espelho Mágico”. O ponto culminante da trama de Janete Clair era de provar que também dominaria as artimanhas do folhetim moderno para a época no horário das 20hs ao lado de Lauro César Muniz.

Lembro-me com muito clareza que a novela era exibida no interior que eu morava em Alagoas numa televisão publica nos fundos da igreja matriz daquela pequena cidade e o sucesso da abertura da novela com a brincadeira das cordas num traçado bem criativo, virou uma febre na cidade entre a criançada. Ainda nos tempos atuais faço com muita prática cada etapa daquela brincadeira divertida apresentada no folhetim.

Outra curiosidade, foi que o folhetim estava programado para 151 capítulos e foi concluída em 154 capítulos por problemas de saúde de Francisco Cuoco.

No meu ponto de vista, não se faz mais novela como em tempos de outrora. As tramas eram bem criativas e não tinham conteúdos que viessem abalar a moral da sociedade ou ferir os costumes tradicionais dos telespectadores. Fico imaginando o aconteceria se a censura ainda permanecesse viva nos tempos atuais, acho que todas as novelas já estariam extintas de suas grades há bastante tempo.

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Escrito por Redação MeDiz

There is 1 comment

  • Sonia Zagury disse:

    Aproveito para fazer meu comentário sobre as novelas antigas que o canal Viva está reprisando para o telespectador ter a oportunidade de se deliciar e comparar as histórias daquela época com as atuais. Alguns podem dizer que é saudosismo mas a gente se emocionava muito mais com o romantismo e atuação dos atores sem apelar para cenas mais audaciosas e linguajar mais vulgar. Enfim, eu sou dessa época e me orgulho disso.

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