Ponto de Vista
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Das Divas para a Diva

Por: Flávio Cavalcante O ano não poderia fechar melhor. A chave de ouro dessa vez foi entregue a uma das mulheres mais importantes para música popular brasileira. Elza Soares representada por grandes nomes, num grande encontro musical e uma participação especial da própria homenageada, interpretando alguns sucessos de sua carreira entre elas “A CARNE MAIS […]

Das Divas para a Diva

Por: Flávio Cavalcante

O ano não poderia fechar melhor. A chave de ouro dessa vez foi entregue a uma das mulheres mais importantes para música popular brasileira. Elza Soares representada por grandes nomes, num grande encontro musical e uma participação especial da própria homenageada, interpretando alguns sucessos de sua carreira entre elas “A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO É A CARNE NEGRA”, levando a plateia a um momento lúdico de entretenimento apresentando o jazz como prato principal, num espetáculo proporcionado pela Diva Vera Fischer.

O espaço foi bem apropriado para o evento na reinauguração do Memorial da América Latina aberto ao público em São Paulo no auditório, comemorando os oitenta anos da Diva em apresentação única ao lado de grandes talentos da música popular brasileira como: ROSANA, BABY DO BRASIL, SANDRA DE SÁ, PAULA LIMA, VÂNIA BASTOS, acompanhadas pela orquestra JAZZ SINFÔNICA sob a direção do grandioso maestro CYRO PEREIRA no cenário impecável do auditório SIMÓN BOLÍVAR.

A consagrada carioca, Elza Soares granjeou ao longo de sua carreira alguns títulos e um deles foi eleita pela rádio BBC de Londres como a cantora brasileira do milênio em 1999 para comemorar a chegada do ano 2000.

Elza da Conceição Soares nasceu no Rio de Janeiro em 23 de junho de 1937. Iniciou sua carreira bastante conturbada no programa de Ary Barroso na Rádio Tupi, e fez sua primeira apresentação ao vivo no auditório da emissora, que era a maior de seu tempo. Recebeu muitas ironias no princípio de sua carreira, até pelo seu jeito simples de se vestir e demonstrar humildade na forma de falar, o que levou Ary Barroso a perguntar ironicamente a ela: “De que planeta você veio?” e Elza lhe respondeu: “Vim do mesmo planeta que o senhor”. “E posso saber de que planeta eu sou?”. “Do Planeta Fome”. Não obstante o momento de chacota por parte do apresentador, Elza não se abalou e foi exatamente quando cantou que a menina mostrou todo seu potencial. Assim ganhou um dinheiro de participação e comprou os remédios do filho que estava doente, mas que mesmo assim faleceu.

Em sua infância vivia brincando na rua, soltando pipas, piões de madeira, até brigar com os meninos. Era uma vida pobre, porém feliz para uma criança, como se fosse um preparo em momentos de felicidade até o atravessar da ponte para estações quase que intermináveis de dor, carregando uma cruz pesada no calvário da vida quase toda marcada por momentos trágicos, nos dá como lição uma imensa sabedoria de vida e nos impulsiona a advertir o que essa guerreira teve que enfrentar aos trancos e barrancos para viver e sobreviver e ainda guardar um pouco de forças para ir em busca do seu sonho que sempre foi cantar, mesmo sendo agredida pela sociedade hipócrita de uma época atrasada como era a sua.

Os holofotes clarearam aquele palco após a abertura da cortinas e acenderam-se as luzes e ascenderam-se os espíritos daqueles que vivenciaram aquele momento único, exibindo através do maestro um repertório que marcou época e ainda marca profundamente a nossa memória que acompanhou a era de ouro da nossa música que anda no tempos atuais quase arfando de mazelas com letras paupérrimas e intérpretes que precisam de uma longínqua estrada para atingir o nível de qualidade das gerações de outrora.

No meu ponto de vista, depois de passar por todas as provações árduas oferecidas pela vida, saindo dos momentos dolorosos, uma história de simplicidade, dando duro para sobreviver, desde a lata d’água na cabeça até a sua vida de doméstica, o reconhecimento pelo seu talento e com o presente em reconhecimento dado pela própria existência de estar aos oitentas anos ainda com a sua voz marcante, afinadíssima e inconfundível, a nossa anfitriã Elza Soares é digna de todos os aplausos não só da plateia, mas, de todos que admiram e conhecem de fato a arte de cantar como a forma de ser feliz, transmitir felicidade e ter a certeza que cantando, os males se espantam de fato e é uma maneira de estar mais próximo de Deus.

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Escrito por Redação MeDiz

There are 3 comments

  • Sonia Zagury disse:

    Bela e merecida homenagem a essa diva que tanto lutou para chegar ao auge de sua carreira com brilhantismo. Salve Elza Soares que tão bem representa a música popular brasileira.

  • Maxwell disse:

    Belíssima homenagem, e muito merecida também.

  • Silvia S.Mendes disse:

    Perfeito meu amigo! Linda homenagem! Parabéns! Bjs.

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