Ponto de Vista
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A SAUDOSA XEQUE-MATE

O caro leitor já percebeu minha paixão pela teledramaturgia, principalmente dos clássicos que marcaram a história da televisão brasileira e ainda permanecem vivos na memória de muitos saudosos que tiveram a oportunidade de vivenciar momentos antagônicos, em si tratando da televisão atual. Não dá para entender como uma época sem recurso algum de tecnologia conseguia […]

A SAUDOSA XEQUE-MATE

O caro leitor já percebeu minha paixão pela teledramaturgia, principalmente dos clássicos que marcaram a história da televisão brasileira e ainda permanecem vivos na memória de muitos saudosos que tiveram a oportunidade de vivenciar momentos antagônicos, em si tratando da televisão atual.

Não dá para entender como uma época sem recurso algum de tecnologia conseguia fazer criações tão inesquecíveis, como a novela “Xeque-mate”, da extinta Rede Tupi de Televisão. Começando pela abertura, que mostrava um tabuleiro de xadrez, apresentando o elenco cada vez que uma pedra se movia.

A clássica abertura da novela acompanhava a mesma vinheta para todas as programações da emissora:

“ESTE PROGRAMA DA REDE TUPI DE TELEVISÃO FOI APROVADO E LIBERADO PELO SERVIÇO DE CENSURA FEDERAL PARA SER EXIBIDO NESTE HORÁRIO. ESTE PROGRAMA É UMA GENTILEZA DE KOLINOS”.

Então, na tela apresentava a vinheta da pasta dental Kolynos.

A história contava com a brilhante atuação do saudoso Raul Cortez, que interpretava um mordomo simpatizante da política liberal de Henry Ford em 1930 e trabalhava na mansão de Doutor Lemos. A abastada família tinha toda a história de que veio do campo em busca do progresso na capital. Segundo alguns amigos do ator, ele comentava que foi um dos grandes momentos da sua carreira. Dr. Arnaldo Lemos, personagem interpretado pelo grandioso Rodolfo Mayer, era um banqueiro, sócio da casa Lemos & Bastos. Seu antigo sócio foi o falecido marido de Carolina (Lia de Aguiar), mãe de Rodolfo (Edney Giovenazzi) e Helena (Sílvia Leblon). Ela, uma garota que ainda estava no curso colegial, enquanto Rodolfo, um sujeito perverso e de uma ambição inigualável, apaixonado por Lúcia (Maria Isabel de Lizandra), que vivia o desprezando. Sua meta principal era destruir Dr. Lemos e tomar a liderança do banco. Carolina, uma criatura adorável, não percebia as más intenções do filho.

Outro personagem com bastante expressão foi a Condessa de AcquaSantiera (Silvana Lopes), uma figura ilustre na sociedade paulistana da época. Ex-vedete de revistas e viúva de um conde italiano, acabou casando com seu empresário, que se tornou o conde de AcquaSantiera (Laerte Morrone).

A novela foi escrita por Walther Negrão e Chico de Assis, e exibida pela Rede Tupi no horário da 20h entre 29 de março e 2 de outubro de 1976. Lembro-me perfeitamente que assistimos à estreia do folhetim na casa minha avó, comemorando os seis aninhos da minha irmã, Jane Cleide Cavalcante, que, por coincidência, fazia aniversário naquele dia. A televisão era uma Telefunkem valvulada em preto e branco, o que tinha de mais moderno na época.

A sinopse era recheada de amor e ódio, e a ambientação mostrava como pano de fundo os tempos da Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939. Nessa época, começavam os primeiros zunzuns dos conflitos internacionais.

As produções televisivas passavam por uma revisão da censura e não se via o conteúdo de libertinagem que se observa nas produções da atualidade. No meu ponto de vista, deveria, sim, ter uma revisão do conteúdo antes de ser apresentado ao telespectador, pois, como sempre digo, “o telespectador merece todo o nosso respeito, porque sem ele não há quem possa nos aplaudir”.

Por Flávio Cavalcante

Foto: Divulgação

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Escrito por Redação MeDiz

There are 2 comments

  • REGINA Aparecida Simões disse:

    O escritor realmente é um apaixonado pela teledramaturgia de um tempo q nunca mais voltará com clássicos maravilhosos de uma época de ouro.Assino em embaixo toda essa paixão de escritor e digo,é recíproco.
    Comenta o escritor sobre a novela “Xeque Mate”da antiga e extinta Rede Tupi de Televisão com poucos recursos sem a tecnologia de hoje, a novela já apresentava passos largos p a modernidade atual comenta o escritor.
    Ele também faz um resumo da novela com seus atores maravilhosos que davam um show de interpretação e que prendiam a atenção de todos e principalmente dos telespectadores.
    As novelas dessa época cita o escritor passavam pela censura onde cenas e falas não adequadas eram retiradas ou modificadas para não constranger as famílias. O que hoje não acontece e o próprio escritor diz que é necessário e eu concordo que tem ser revista as mesmas para que não sejamos pegos de surpresa com tantas cenas enadequadas, diálogos esdrúxulos e imorais.

  • Maxwell disse:

    Muita coisa ficou pra trás, respeito com o telespectador, pudor, essa coisas não existem mais, não da pra deixarmos nossos filhos pequenos assistirem nem as novelas das seis ou sete, mas francamente boa parte da culpa é de quem assiste, pois o que eles querem é audiência e se tem sido boa, por que mudar.

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